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Resultados do Benchmark MicroRate no Fechamento de 2023: Uma Perspectiva Latino-Americana

30 de dezembro de 2023 by
Resultados do Benchmark MicroRate no Fechamento de 2023: Uma Perspectiva Latino-Americana
Microrate Latin América S.A., Mayumi Ogata


Há vários anos, a agência de classificação de risco MicroRate elabora benchmarks financeiros e sociais de forma semestral, a partir das informações das diversas instituições financeiras latino-americanas que avaliamos. A seguir, detalham-se alguns dos resultados mais relevantes da região, com base nos números atualizados até dezembro de 2023. Vale mencionar que, para esta análise, consideram-se as medianas em vez das médias, por serem mais confiáveis em amostras com instituições diversas.

De acordo com a análise, observa-se que a taxa de expansão do valor da carteira de empréstimos manteve-se estável em torno de 12%, ritmo semelhante ao do ano anterior. Pouco mais da metade desse aumento foi atribuível à ampliação da base de tomadores. Um crédito médio maior explica o restante da variação.

Quando se comparam esses resultados com os do exercício anterior, o crédito médio aumenta 10,3%, mantendo o dinamismo do volume de carteira. Esses créditos de maior tamanho podem refletir uma adaptação às necessidades de financiamento em decorrência da inflação. Ao mesmo tempo, podem significar também uma maior exposição da instituição financeira ao risco de crédito, já que podem implicar uma maior concentração da carteira em certos produtos.

Vale mencionar que a manutenção do ritmo de crescimento da carteira em um contexto de baixo crescimento para a região latino-americana é também, em parte, reflexo da forte concorrência que caracteriza o setor financeiro. Algumas entidades podem estar mais propensas a aumentar o seu perfil de risco para defender a sua fatia de mercado. Contudo, tais decisões costumam ter um correlato em termos de qualidade da carteira.

O indicador de carteira em risco mostra uma redução importante, passando de 8,4% para 7,5% no prazo de 1 ano. Nesse sentido, a mediana indica que ao menos metade das instituições incluídas na análise apresenta uma melhora importante na qualidade da sua carteira. As políticas orientadas a melhorar as concessões após a pandemia, assim como uma maior cautela das instituições, explicam esses resultados.

Do lado da rentabilidade operacional, constata-se uma deterioração em relação ao ano anterior, situando-se muito próxima de 0%, apesar de manter um rendimento de carteira estável. O contexto internacional de alta das taxas de juros tornou o funding mais caro, com o consequente dano à margem financeira. A isso somou-se um aumento na despesa de provisões como proporção da carteira. Espera-se que a evolução da despesa financeira no curto prazo seja favorável, ou seja, que as taxas de juros diminuam gradualmente, enquanto as perspectivas da despesa de provisões dependerão mais da capacidade de cada instituição de manter um alinhamento entre uma metodologia de crédito prudente e uma execução disciplinada em campo.


Redação:

Eduardo Zuñiga
Gerente Executivo  ​