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Desempenho do Sistema Financeiro Cooperativo Peruano no Primeiro Trimestre de 2023

31 de março de 2023 by
Desempenho do Sistema Financeiro Cooperativo Peruano no Primeiro Trimestre de 2023
Microrate Latin América S.A., Mayumi Ogata


Crescimento lento, liquidez estável e ligeira melhora nas margens operacionais resumem o desempenho do sistema cooperativo local. O principal desafio e ameaça, no entanto, continua sendo a gestão do risco de crédito.  




A MicroRate analisou as informações financeiras das COOPACs de Nível 3, as maiores por volume de carteira, seguidas em tamanho pelas COOPACs de Nível 2B. Ambos os níveis representam cerca de 75% da carteira total do sistema financeiro cooperativo, que totaliza aproximadamente USD 2,6 bilhões.



O índice de liquidez sobre carteira do setor gira em torno de 17%, com tendência de queda explicada principalmente pelas cooperativas de Nível 3 (14%), em contraste com um indicador mais alto e estável nas cooperativas de Nível 2B (29%). Em ambos os tipos de cooperativas observa-se uma queda no nível de endividamento, explicada por menor captação de poupança e depósitos a prazo, mais notória nas COOPACs de Nível 3.


A estrutura de financiamento mantém-se igualmente concentrada no longo prazo, favorecendo em certa medida o casamento de prazos, especialmente porque a maturação dos créditos concedidos se concentra no médio prazo (acima de 3 anos). Uma estruturação de prazo mais longo dá folga à operação e possibilita a criação de produtos de crédito que acompanham os planos de investimento em ativos fixos para negócios e até domicílios (melhoria habitacional).

A rentabilidade do setor cooperativo é comparativamente menor em relação a períodos anteriores. É afetada por um menor rendimento da carteira, explicado não só pela forte concorrência, mas também pelo aumento da carteira em risco. Também impactou adversamente o aumento da despesa de provisões nos últimos períodos, associado a uma piora na qualidade da carteira. Ainda assim, a margem operacional continua positiva no primeiro trimestre de 2023, embora menor do que dois anos atrás. O foco na eficiência operacional (controle de despesas) é o que explicaria principalmente o resultado, liderado pelas COOPACs de Nível 3, que apresentam melhores indicadores.


As COOPACs 2B apresentam um melhor rendimento de carteira, explicado pelo nicho ou segmentos distintos aos quais se dirigem, mais focado em MPEs (micro e pequenas empresas), além do consumo. A eficiência operacional e a melhora nas despesas financeiras estão entre os seus principais desafios.