“A participação das mulheres no setor de microfinanças despertou um interesse crescente nas últimas décadas, evidenciando avanços significativos rumo à igualdade de gênero. No entanto, alguns desafios importantes ainda persistem, de modo que a definição de estratégias imediatas fortaleceria ainda mais a presença feminina no setor.“

Dados atuais e desafios persistentes
Segundo o Benchmark Social da MicroRate com números de dezembro de 2023, o percentual de atenção de crédito às mulheres é de 55,7% na América Latina. O fato de que certas instituições financeiras atendam apenas mulheres ou desenvolvam produtos exclusivamente para elas explica em grande parte esse resultado. Esse dado é interessante considerando que as mulheres são melhores pagadoras do que os homens, conforme indicado no relatório sobre "Capacidades financeiras das mulheres" emitido pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF).
Além disso, o Benchmark Social mostra que as mulheres apresentam menor rotatividade em comparação com os seus colegas homens. No nível de funcionários, a rotatividade das mulheres é de 28,4% em comparação com 29,7% dos homens; enquanto no nível de assessores de crédito, a rotatividade das mulheres é maior (35,4%), embora ainda abaixo da dos homens (39,7%). Embora esses indicadores sejam favoráveis, devem ser considerados junto com outros fatores, como o acesso a oportunidades de emprego e planos de carreira dentro da empresa, o que poderia explicar o menor incentivo das mulheres para mudar de emprego.
Por outro lado, ainda persistem lacunas de gênero no nível dos cargos executivos, onde apenas 35,1% dos membros do Conselho são ocupados por mulheres, o que denota áreas de melhoria nos cargos de liderança.


Estratégias para promover a equidade de gênero
Cientes das lacunas de gênero que ainda persistem no setor de microfinanças, é vital que as instituições identifiquem os indicadores sociais que melhor medem o seu desempenho em termos de equidade. Algumas empresas estão adotando metas concretas para aumentar a representação feminina em cargos de liderança e apoiar as mulheres empreendedoras, além de melhorar o seu acesso ao financiamento. Portanto, cabe refletir sobre as principais estratégias a serem adotadas de imediato para a promoção da equidade de gênero neste setor.
-
Definição e monitoramento de objetivos sociais:
As instituições de microfinanças devem definir e monitorar objetivos claros orientados à equidade de gênero. É essencial ter uma estratégia bem desenhada e coletar dados continuamente para controlar e ajustar as iniciativas em direção aos objetivos estabelecidos. Abordar as disparidades existentes é crucial para criar um ambiente financeiro mais equitativo. - Compromisso contínuo do conselho e do pessoal:
O compromisso do conselho, da direção e dos funcionários deve ser mantido por meio de relatórios regulares e da formação de um comitê especializado que trate de questões de equidade e inclusão das mulheres. Esse comitê deve avaliar os resultados, o cumprimento das metas e a adequação das estratégias para assegurar um progresso concreto. -
Capacitação contínua e feedback constante:
A capacitação contínua de clientes internos e externos é estruturalmente importante para obter feedback constante e alcançar um crescimento progressivo na inclusão das mulheres. Isso contribui para a retenção de clientes e a melhoria das práticas e produtos das instituições de microfinanças. -
Produtos financeiros adequados:
Desenvolver produtos que reduzam as barreiras à expansão do crédito e ao acesso a oportunidades econômicas é essencial para apoiar o desenvolvimento das mulheres. É importante considerar os riscos associados e monitorar o risco de superendividamento. -
Cumprimento dos códigos de conduta:
Os códigos de conduta devem promover a não discriminação em todo o processo de crédito. É importante monitorar o comportamento do pessoal e processar as reclamações de forma justa, protegendo a privacidade da informação e utilizando tecnologias apropriadas.
A participação das mulheres no setor de microfinanças está avançando, mas ainda enfrenta desafios. À medida que mais políticas e programas voltados à equidade de gênero forem implementados, será essencial continuar avaliando, monitorando e promovendo essas iniciativas.
Por fim, com o compromisso contínuo das instituições financeiras e da sociedade em geral, espera-se que a lacuna de gênero neste setor continue diminuindo nos próximos anos.

Redação:
Zulma Chávez
Especialista em contas-chave